Bombas Africanas na Quebrada

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Fotos: Vitor Salerno/Afrobombas Facebook

Uma das primeiras coisas que me veio à cabeça ao começar o show: “Como eu faço pra cantar no backing vocal dessa banda?” e logo me contagiou pela malemolência que aqueles músicos transbordavam aos ouvidos.

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As luzes estavam estrategicamente ensaiadas em tom avermelhado, combinando com o ambiente intimista que se proporia naquela tarde de domingo, no teatro do Sesc Ipiranga, para poucas testemunhas.

Entre crianças, jovens, casais, o compositor e cantor que integra o grupo de manguebeat Nação Zumbi, Jorge Du Peixe, acompanhado de seus fieis Afrombombas assumiu os alto-falantes como um maestro que rege uma orquestra. Em família todos ficam à vontade, principalmente para o percussionista Ramon Lira, filho de Du Peixe, e para Lula Lira, que divide os vocais com o sogro e também amigo íntimo de seu pai, Chico Science. Ah, ainda tem Dalua, também percussionista da Nação Zumbi. Para completar o time de peso, André Édipo que mostrou para quê veio com sua guitarra à lá Lúcio Maia, Thiago Duar mandando uns graves furiosos no baixo, Pernalonga, que passou por diversos rítmos sem enrolar na bateria e nas baquetas, e o trompetista eletrônico Guizado, se fazendo presente.

Sob o poderoso futuro hit “De sal e sol eu sou”, o grupo dá início aos trabalhos, digo, à apresentação. Diante de um público sentado, Du Peixe fazia questão de pedir para que se levantassem de suas cadeiras e dançassem um pouco. Menos tímido do que em suas performances anteriores ao lado dos Zumbis, o cantor exibiu técnica, leveza e muita intimidade com os microfones e os samples.

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Para uma garota de 22 anos e novata no meio (pelo menos como artista), Lula surpreendeu mais que o esperado, ainda mais para uma estudante de música e canto lírico, cri-cri e exigente que sou. Seu timbre suave e com notas precisas, principalmente as agudas, encantaram meu paladar auditivo. A vocalista conteve seus movimentos no início mas se jogou no dub/reggae ao final do show.

“No Olimpo”, pra mim, foi o auge. Uma das músicas da Nação Zumbi que eu mais gosto, cheia de subidas e descidas, melodia simples, ao vivo, ali na minha frente. Nessa hora todos já estavam de pé, era a hora do bis.

Perfeitamente ensaiados e sincronizados, repertório escolhido com carinho e músicas bem amarradas umas às outras, equalização sonora tinindo. Resultado: mais um show inesquecível para os nossos corações melões.

O Afrobombas:

Jorge du Peixe – vocal/eletrônicos

Lula- vocal–backing vocal

André Édipo – guitarra

Thiago Duar – baixo

Pernalonga – bateria

Ramon Lira – percussão

Dalua – percussão

Guizado – trumpete/eletrônico

Na agulha (do ipod)

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O bom da gente voltar a estudar ou fazer o que gosta, é o desejo de buscar o que é novo, sem preconceito ou crítica, com o coração aberto e a cabeça ativa.

Além de minhas influências musicais, aquelas que gosto de ouvir num momento de lazer, busco o que há de novo, diferente, aqui  e no mundo, seja erudito ou popular.

Acabo de baixar dois álbuns que, sinceramente, não fui em busca da mídia crítica especializada, nem por alguma indicação de amigos músicos, na realidade, fui pela curiosidade.

Um deles é o novo álbum da cantora simpatissíssima Tulipa Ruiz  “Tudo Tanto”(disponível para download gratuito aqui), matéria destaque do mês de agosto da Revista Bravo!. Tulipa, que na minha humilde opinião, é dona de um timbre único, meio jocoso meio sincero, diferenciado se comparado com as demais cantoras nacionais e, sem falar no leque variado de ritmos, vertentes, como falei no meu primeiro parágrafo, sem preconceitos.

Com participações do cantor Lulu Santos no vocal e guitarra na faixa “Dois Cafés”, Kassin, Criolo, entre outros, o álbum é uma ótima escolha pra ouvir no seu mp3 sem precisar passar as faixas.

Outro som que faz parte do meu selecta é o álbum “Simbiosi”, mais recente disco do grupo de “skajazz” de Barcelona, Espanha, The Gramophone Allstars. Como o próprio nome já chama, a banda resgata músicas das antigas com uma roupagem voltada ao swingue jamaicano com a finesse do jazz. Com o vocal feminino (adoro) charmoso, falsete, leva o peso dos metais sem cerimônia, Judit se sente confortável e segura com os demais integrantes, músicos de jazz por formação.

Preferem o idioma inglês, até por ser a maioria de suas influências musicais: San Francisco Jazz Collective, Keith Jarret, Joshua Redman, entre outros.

Bom pra festas, baladas, sexy songs e reunião entre amigos.

Destaque para a música “Love You like a Woman” da diva do soul Koko Taylor, que ganhou uma versão digna de uma big band.

Ouça a versão da galera do The Gramophone Allstars no My Space

The Gramophone Allstars

The Gramophone Allstars

Cuba de Roberto Fonseca

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Nem só de Fidel Castro e Comunismo vive Cuba.

Cuba respira pelos aromas doces dos charutos, os tragos amargos e fortes de rum, a malemolência dos boleros. Dentre tantas sensações, destaca-se os acordes entoados por Roberto Fonseca.

Não nega suas raízes. Com seu padrinhos, a velha guarda Buena Vista Social Club, dividiu o palco ao substituir durante as turnês o saudoso mestre Rubén Gonzalez.

A primeira vez que ouvi Roberto Fonseca em cena foi no ano de 2004, em uma das apresentações do grupo Buena Vista no Brasil, no show de Ibrahim Ferrer. A minha surpresa emoção foram tantas que resolvi repetir a dose, assistindo depois ao show de Omara Portuondo, a diva e dama Cubana (sim, com letra maiúscula), em 2005. Me lembro perfeitamente da homenagem emocionante à morte de Ibrahim Ferrer, falecido naquele mesmo ano. (Ao cantar a música “Dos Gardenias”).

No último dia 23, no Sesc Pompeia, pude ouvir as sonoridades cubanas mais uma vez.

Com sua banda, formada por músicos exclusivamente cubanos, Roberto Fonseca apresentou canções de seu mais recente álbum, “Zamazu”, lançado pela Biscoito Fino e gravado aqui no Brasil/Cuba em 2006 “Cuba e Brasil são países muito ligados no que diz respeito à religião e à música, sobretudo nos ritmos africanos”, lembra o pianista.

Zamazu foi nome carinhosamente dado em homenagem à sua sobrinha que não sabia pronunciar palavras corretamente.

Em um momento do show, uma canção me causou espanto. Dotada de total sensibilidade, acordes melódicos e compridos, sim, me fizeram chorar. Fonseca também se emociona, levanta-se do piano e agradece.

A sintonia entre os músicos no palco é completa, contagiando a plateia composta de senhores e senhoras de meia idade à terceira idade. Pra se ter uma ideia, um senhor, que estava ao meu lado, ao ouvir o solo do baterista “dixavando” a batera, levou as mãos à cabeca e balançou, como que em desaprovação.

Conservadores ou não, os “tiozinhos” piraram com a vibe positiva e mística do show, ensaiando depois um coro regido por Roberto Fonseca: seu lado direito gritava “Ô ô ô ô”, e o lado esquero “Zamazamazu”, quase que eu sussurro.

Quem quiser conferir de perto o que perdeu ou pode perder, vá até o Youtube e assista a alguns vídeos do Bourbon Festival de Paraty e Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.

Ou tente achar o cd que vale a pena ter em casa. O meu, foi dado de presente de aniversário para meu irmão Nilo. Ele me amou muito naquele momento.

Segue matéria sobre o álbum Zamazu.

Tentando respirar num ar rarefeito

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“… desembrulhei o pacote e esfarelei seu conteúdo num papel de cigarro. Os brotos verdes-claros estavam grudentos de resina, cheirando a fruta podre. Enrolei o baseado, fumei inteirinho, enrolei um segundo, mais gordo, e fumei quase a metade daquele também, antes que o quarto começasse a girar. Então o apaguei.

Fiquei deitado nu, na cama, ouvindo os sons da noite que entravam pela janela aberta. O tilintar dos sinos dos riquixás misturava-se às buzinas, aos apelos dos ambulantes, à risada de uma mulher, à música de um bar nas redondezas. Deitado de costas, pirado demais para me mexer, fechei os olhos e deixei que o calor pré-monção me cobrisse inteiro, como um bálsamo. Senti-me como se estivesse derretendo no colchão. Uma procisão de cata-ventos intrincamente desenhados e figurinhas de desenho animado, com grandes narigões, flutuavam pelos meus olhos fechados, em tons de néon…”

Trecho do livro “No Ar Rarefeito”. Krakauer, Jon. Companhia das Letras.

Hoje foi o término de um ciclo e início de uma nova aurora. É essa a visão que tenho quando termino um livro que me envolve, e me faz deixar de andar de skate pra ler às 0h30 sob as luzes amarelas da pista de skate da Penha.

capa do livro“No Ar Rarefeito”, do jornalista Jon Krakauer, descreve com detalhes e sem deixar de lado os tórridos e sofridos momentos durante uma expedição ao pico do Everest. Convidado para realizar uma matéria à então revista que trabalhava Outside, Jon participa como integrante de uma sina sem volta para uns, doloria e inesquecível para outros.

“Àquela altura, setores inteiros do córtex pareciam ter se fechado para sempre. Zonzo, temendo desmaiar, eu estava desesperado para chegar ao cume sul, onde minha terceira garrafa de oxigênio me esperava. Comecei a descer pelas cordas fixas, rígido de pavor.” (pag. 191)

Segundo o autor, há momentos onde é preciso ter um controle emocional e psíquico objetivo, pois devido à falta de oxigênio, complica na decisão de ideias, a força física vai ficando debilitada, onde é preciso uma força descomunal à favor da própria vida.

Muitas vidas não foram salvas, porém Krakauer compila depoimentos dos sobreviventes na reconstituição dos fatos e ambientaliza cada momento com intensidade.

Claro que no começo dá uma descrição completa de cada acampamento para aclimatação dos clientes, mas no decorrer da obra, o pico vai se tornando um desafio entre a vida e a morte: rajadas de vento, tempestades, ´falta de preparo físico e psicológico, erros de guia, várias hipóteses são possíveis para se tentar entender o desastre no Everest.

Vale a pena a leitura a todos os amantes de aventuras, leitura e ao gonzo jornalismo.

“Quando virei a cabeça de lado, minha orelha encostou em algo molhado; lágrimas, percebi então, estavam escorrendo pelo meu rosto e encharcando os lençóis. Senti uma bolha cada vez maior de dor e de vergonha subindo pela espinha, vinda de algum lugar lá no fundo. Irrompendo de meu nariz e de minha boca num fluxo de ranho, o primeiro soluço foi seguido de outro, depois de outro e mais outro.”

Jon Krakauer (1974) é norte-americano. Escreve para diversas revistas e jornais de circulação nacional nos Estados Unidos. Vencedor do prêmio do Clube Alpino Americano de literatura sobre montanhismo, já foi também finalista do National Magazine Award. É autor de Na Natureza selvagem, Sobre homens e montanhas e Pela bandeira do Paraíso, todos publicados pela Companhia das Letras.

A sina do Cisne Negro

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Poster original do filme

 

título original: (Black Swan)

lançamento: 2010 (EUA)

direção: Darren Aronofsky

atores: Natalie Portman, Mila Kunis, Winona Ryder, Vincent Cassel.

duração: 103 min

gênero: Suspense

status: Em cartaz

 

  
 
Finalmente consegui ver o tão esperado Cisne Negro no Espaço Unibanco. Confesso que mesmo sem ler a sinopse, imaginei que se tratasse de uma releitura de Tchaikovisky, não tão clássica, mas algo que abordasse o universo da dança, o enredo da história, simbologia, etc.
O interesse por ver Cisne Negro também não fora pelos méritos do Oscar. Sim, já fui bailarina e tive curiosidade, pronto!
Mas ao assistir as primeiras cenas, logo reparei na riqueza e na preocupação com a fotografia. Uma câmera nervosa presente em todo o filme nos faz sentir toda a intensidade e a paixão da personagem Nina, interpretada pela excelente atriz Natalie Portman.
Vendo-a é fácil crer que é uma bailarina profissional e dedicada, doando a vida para o papel principal do bailado.
Uma confusão de sentimentos invade o telespectador durante todo o filme, chegando a nos confundir por completo, mas no final do filme, é claro, o mistério é desvendado.
Belíssimo na escolha dos atores, figurino, poucas locações, é claro, porém nos insere dentro das cenas com intensidade e realidade. O diretor acertou em não abusar tanto na trilha sonora, que poderia soar um tanto repetitivo e cansativo ao telespectador. Mas a forma sutil, delicada e ao mesmo tempo agressiva, envolvem por completo, do começo ao fim, a nossa atenção.
Uma releitura digna e acessível aos que não são tão fãs de balé clássico ou música clássica, mas depois de assistir Cisne Negro, até se arriscam a procurar por outros.
Nota: 5 estrelas

Timeless: Uma homenagem aos arranjadores e compositores, inclusive J. Dilla

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Lendo o jornal O Estado de São Paulo de hoje, me deparei com uma matéria de arrancar os cabelos ( e arrepiar). Trata-se do registro incrivelmente rico, com belas imagens em preto e branco,  música elaboradíssima com riqueza na emoção e atuação.

São os três filmes da série Timeless dedicados aos arranjadores e compositores como o mestre etíope Mulato Astatke, o rapper J. Dilla e o brasileiro Arthur Verocai, todos ligados ao universo hip-hop de modo geral:  Mulato e Verocai influenciaram muitos rappers e J. Dilla pelo seu apreço à música clássica.

A obra é composta por meio  de concertos de 73 minutos com entrevistas, depoimentos e bastidores. A música é tratada por meio de um universo grandioso, com orquestra, violinos, batidas, com toda a preocupação medida na sensibilidade, o “feeling” músical, que fica até difícil de explicar, só vendo e ouvindo pra sentir e entender.

A produtora Mochilla é a realizadora deste grande feito com os concertos gravados na cidade de Los Angeles.

Como disse o repórter Lauro Lisboa Garcia, “difícil de assistir sentado”.

 

http://musica.uol.com.br/ultnot/multi/2011/02/07/0402183362D8891327.jhtm?trailer-da-mostra-de-filmes-timeless-0402183362D8891327

 

J. Dilla

   

J. Dilla

James Dewitt Yancey (7 de fevereiro de 1974 – 10 de fevereiro de 2006), mais conhecido pelos seus nomes artísticos J Dilla e Jay Dee, foi um rapper, DJ e produtor musical estadunidense que emergeu em meados da década de 90 em Detroit, Michigan. É considerado como um dos mais influentes rappers de toda a história, chegando a trabalhar com De La Soul, Busta Rhymes e Common.

Ele foi diagnosticado em 2005 com púrpura trombocitopênica trombótica, um rara doença sanguínea, tendo sofrido um ataque cardíaco em 10 de fevereiro de 2006, três dias após seu 32º aniversário, e faleceu na sua residência em Los Angeles, Califórnia.

  

 

 

 

Mulato Astatke

   

Mulato Astatke

Mulatu Astatke (também escrito Astatqé) é um compositor nascido na Etiópia, em 1943, considerado o pai do Ethio-jazz. Musicalmente talhado em sua juventude na Inglaterra e nos EUA, onde aprendeu a tocar piano, percussão e clarinete, seu retorno à sua terra natal no final da (década de 1960) o leva a uma carreira sólida. Sua música é única, pontuada por cool jazz, salsa, funk e uma sonoridade que remete a toques árabes e indianos. Ele trabalhou com muitos artistas influentes do jazz como Duke Ellington durante a década de 1970. Após a reunião do grupo Either/Orchestra de Massachusetts, em Adis Abeba, capital da Etiópia, em 2004, Mulatu começou uma colaboração com a banda, que continua até os dias de hoje, tendo participado das apresentação recentes na Escandinávia no verão de 2006, além de shows em Londres, Nova York, Alemanha, Holanda, Glastonbury (Reino Unido), Dublin e Toronto, no Verão de 2008.





  

 

Arthur Verocai





Arthur Verocai

Em 1972, o compositor e violonista Arthur Verocai lançou seu primeiro álbum solo, depois de anos trabalhando como arranjador para inúmeros astros da música brasileira. Tinha então emplacado sucessos autorais nas vozes de Elis Regina (“Um Novo Rumo”), Maysa (“Catavento”) e outros, e atuado como diretor musical e maestro em vários shows com destaque para “A Vida de Braguinha”, ao lado de Elizeth Cardoso e os grupos Quarteto em Cy e MPB-4.



TIMELESS

Espaço Unibanco: Rua Augusta, 1.470.

3288-6780

Dias, 9,10 e 11/2 às 21h30.

14 anos sem Chico Science

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Hoje tem festa no mar. Também é dia de Iemanjá e a Bahia que me espere.

Mas hoje também sentimos um vazio, uma ausência que só o tempo pra acalentar.

   No dia 2 de fevereiro de 1997, Francisco de Assis França, nosso “homem-caranguejo”, teve sua vida e carreira interrompida precocemente  por um acidente de carro na rodovia entre as cidades de Olinda e Recife.

A família de Chico Science recebeu indenização de cerca de 10 milhões de reais da montadora Fiat, responsabilizada pela morte do cantor e compositor no acidente que lhe tirou a vida, devido a falhas no cinto de segurança do carro que dirigia e que poderia ter lhe poupado a vida.

 
 
 

O "Homem-caranguejo"

 

O Homem-Caranguejo

 O mangue man sempre esteve envolvido nos grupos de hip hop em Pernambuco no início dos anos 1980. Fez parte de alguns grupos musicais como Orla Orbe e Loustal, inspirados no soul, funk e hip hop, ou seja, tudo o que ele mais gostava.  A fusão com os ritmos nordestinos, principalmente o Maracatu, veio em 1991, quando Science entrou em contato com o bloco afro Lamento Negro, de Peixinhos, subúrbio de Olinda. Daí misturou o ritmo da percussão com o som de sua antiga banda e formou nada menos que a incomparável NAÇÃO ZUMBI.

 

Eu vim da Nação Zumbi

 

 O grupo começou a se apresentar no Recife e em Olinda onde iniciou o “movimento mangue beat”, com direito a manifesto (“Caranguejos com Cérebro”, de Fred 04, do grupo Mundo Livre S/A). Em 1993 uma rápida turnê por São Paulo e Belo Horizonte chamou a atenção da mídia. O primeiro disco, “Da Lama ao Caos”, projetou a banda nacionalmente, com fortes repiques de alfaias, letras inspiradas no universo maracatu/recife/caranguejo. O segundo, “Afrociberdelia”, mais pop, eletrônico e experimental que o anterior, confirmou a tendência inovadora de Chico Science e Nação Zumbi, que excursionaram pela Europa e Estados Unidos, onde fizeram sucesso de público e crítica. O Nação Zumbi lançou um CD duplo em 1998, depois da morte do líder, com músicas novas e versões ao vivo remixadas por DJs.

Em 2009 também foi lançado em vinil (sim, o bolachão) o álbum “Da Lama ao Caos”, em comemoração aos 15 anos do primeiro álbum gravado em estúdio da banda manguebeat Chico Science & Nação Zumbi.

Acompanhe trechos extraídos do documentário musical “Mosaicos” da Tv Cultura – A Arte de Chico Science

Com toda a certeza, Chico Science influenciou muitas cabeças pensantes por aí. Aguçou curiosidades, a descoberta de Recife, uma nova visão de música brasileira e nos deu essa nova dimensão de que a cultura nordestina nos tem muito a ensinar, e não só buscando o que é antigo, mas transformando o antigo no novo, no futurista. Ele era um visionário. Viva Sandino! Viva Zumbi! Viva Antonio Conselheiro! Viva Chico!

Veja:

http://www.manguebeat.com.br/ 

O site tá meio desatualizado, mas vale a pena acompanhar os podcasts exclusivos para o caranguejo-internauta!

http://www2.uol.com.br/JC/chicoscience/

Site oficial do Chico pela Uol. Lá você encontra toda a discografia, mais sobre a carreira e fotos.

Leia:

 

Leia a seguir o manifesto “Caranguejos com cérebro”, escrito em julho de 1992 pelo jornalista e músico pernambucano Fred Zero Quatro, fundador da banda Mundo Livre S/A.

Mangue, o conceito.

Estuário. Parte terminal de rio ou lagoa. Porção de rio com água salobra. Em suas margens se encontram os manguezais, comunidades de plantas tropicais ou subtropicais inundadas pelos movimentos das marés. Pela troca de matéria orgânica entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo. 

Estima-se que duas mil espécies de microorganismos e animais vertebrados e invertebrados estejam associados à vegetação do mangue. Os estuários fornecem áreas de desova e criação para dois terços da produção anual de pescados do mundo inteiro. Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem do alagadiço costeiro.

Não é por acaso que os mangues são considerados um elo básico da cadeia alimentar marinha. Apesar das muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das donas-de-casa, para os cientistas são tidos como símbolos de fertilidade, diversidade e riqueza.

Manguetown, a cidade

A planície costeira onde a cidade do Recife foi fundada é cortada por seis rios. Após a expulsão dos holandeses, no século XVII, a (ex)cidade *maurícia* passou desordenadamente às custas do aterramento indiscriminado e da destruição de seus manguezais.

Em contrapartida, o desvairio irresistível de uma cínica noção de *progresso*, que elevou a cidade ao posto de *metrópole* do Nordeste, não tardou a revelar sua fragilidade.

Bastaram pequenas mudanças nos ventos da história, para que os primeiros sinais de esclerose econômica se manifestassem, no início dos anos setenta. Nos últimos trinta anos, a síndrome da estagnação, aliada a permanência do mito da *metrópole* só tem levado ao agravamento acelerado do quadro de miséria e caos urbano.

Mangue, a cena

Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.

Em meados de 91, começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de idéias pop. O objetivo era engendrar um *circuito energético*, capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo: uma antena parabólica enfiada na lama.

Hoje, Os mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em hip-hop, colapso da modernidade, Caos, ataques de predadores marítimos (principalmente tubarões), moda, Jackson do Pandeiro, Josué de Castro, rádio, sexo não-virtual, sabotagem, música de rua, conflitos étnicos, midiotia, Malcom Maclaren, Os Simpsons e todos os avanços da química aplicados no terreno da alteração e expansão da consciência.

Bastaram poucos anos para os produtos da fábrica mangue invadirem o Recife e começarem a se espalhar pelos quatro cantos do mundo. A descarga inicial de energia gerou uma cena musical com mais de cem bandas. No rastro dela, surgiram programas de rádio, desfiles de moda, vídeo clipes, filmes e muito mais. Pouco a pouco, as artérias vão sendo desbloqueadas e o sangue volta a circular pelas veias da Manguetown. 

É isso aí…

King Kong Dub Plate

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Esses dias, meu irmão postou em seu facebook este vídeo que me impressionou primeiramente por ter sido feito todo em stop motion, técnica de animação que adoro e admiro. Em segundo, pela batida ragga e o vocal metálico gangsta do KingKong. Mesmo com o refrão repetitivo, só criou mais uma atmosfera dançante e marcante pelo beat, totalmente diferente da versão original de Tenor Shaw – “Who’s gonna help me praise”, pulsada no reggae roots dos anos 60.

Quando ouvi falar no King Kong pela primeira vez  foi no Susi in Dub quando ainda era localizado na Av. São João, parte guetto do centro. Lembro-me também que quem me deu a letra foi o selecta Yellow P, que hoje é um dos cabeças do movimento Dubversão.

Esse é o som “Universal Soundsystem” com animação e direção de Alex Brüel Flagstad e Benjamin Kaae.

Big Up!

Doitschinoff na Choque

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O artista Stephan Doitschinoff lança uma edição especial de gravura. Stephan, que integrou a exposição De dentro para fora/ De fora para dentro, no MASP, e foi eleito Artista Revelação de 2009 pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), apresenta uma gravura exclusiva sob o título Céus Abertos, com tiragem de 100 exemplares produzidos em serigrafia. Toda dourada, a gravura foi feita em parceria com o Estúdio Elástico (serigrafia) e a Gráfica Fidalga (tipografia).

Trata-se da primeira gravura lançada pelo artista em três anos e representa uma caveira de ponta cabeça com a mandíbula virada em referência aos simbolismos estudados pelo artista, além de ser uma continuação da sua exposição CRAS, apresentada em abril no Acervo da Choque.

Entre suas mais recentes atividades, o artista instalou a escultura A Mão nas imediações do Museu Afro-Brasil, no Ibirapuera, 1,80 metro de altura toda em cerâmica, com símbolos em baixo relevo – iniciativa do artista consolidada por meio do Prêmio Interações Estéticas em Pontos de Cultura, da Fundação Nacional das Artes e do Ministério da Cultura (MinC) do Governo Federal.


Lançamento da Gravura “Céus Abertos” de Stephan Doitschinoff
Sábado, 11 de dezembro 2010 – 15hs
Galeria Choque Cultural – Rua Jão Moura, 997 – Pinheiros – 11 3061 4051

http://choquecultural.com.br/blogs/stephandoitschinoff/

http://choquecultural.com.br/blogs/newprintscalmalopezesamuelcasal/